Notas

1. Manhã de noite que choveu é algo sensacional.

 

2. “Morning” – means “Milking” – to the Farmer -

Dawn – to the Teneriffe -

Dice – for the Maid -

Morning means just Risk – to the Lover -

Just Revelation – to the Beloved -

 

Epicures – date a Breakfast – by it -

Brides – an Apocalipse -

Worlds – a Flood -

Faint – going Lives – their Lapse from Sighing -

Faith – the Experiment of Our Lord -

[Emily Dickinson. Senti necessidade de reler esse poema hoje cedo, com a janela aberta. Sou desses.]

 

3. Minha primeira saudação do dia veio de meu amigo Gian Luca, que postou esta música em meu mural no Facebook e disse que achou ela a minha cara. E eu não fiquei somente comovido, mas muito honrado. Se você ainda não escutou o novo álbum da PJ Harvey, faça isso hoje, sem falta.

 

4. Hoje é aniversário da Nina Simone.

Essa apresentação é foda pra caralho, puta que pariu.

 

5. “Desejo e Obsessão”, da Claire Denis, é um filme soberbo. Gostaria de tê-lo visto no cinema, mas acabei de fazer isso pelo netbook. Nada mau. Mesmo. Definitivamente.

 

6. Ainda é manhã.

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Near Light

Então, o Ólafur Arnalds lançou clipe novo hoje.

Ólafur é um dos islandeses que entraram na minha vida em 2008. Pra nunca mais sair.

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Carnaval no Brasil

There are two Ripenings – one – of sight

Whose forces Spheric wind

Until the Volvet product

Drop spicy to the ground -

A homelier maturing -

A process in the Bur -

That teeth of Frosts alone disclose

In far October Air.

(E. D.)

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Se eu gosto de carnaval? Eu gosto de tudo. De algumas coisas mais do que de outras. Hoje, por exemplo, troquei de bom grado um desfile de escolas de samba pela televisão por boas palavras-cruzadas. Sem nenhum remorso.

E é assim que aproveito o meu carnaval em Vitória: um certo isolamento, esse mesmo olhar e, ao contrário do que possa parecer, uma intensidade cerebral e cardíaca violenta. O mais importante: em silêncio.

Bom carnaval.

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Dia do repórter

Pois então, é hoje. E pensar que até ontem eu trabalhava em uma redação. Não foi mesmo isso que eu quis desde que me matriculei na Ufes para estudar jornalismo?

Não, não foi. Mas eu pensei que fosse.

Se querem saber (ou melhor: se ainda não sabem), sou um ingênuo. Em algum passado remoto, o jornalismo foi um sonho heroico. Sou desses que chegaram na universidade com o idealismo mais pueril, ainda que não sem alguma vaidade. Minha ideia não estava de tudo errada, seria injusto dizer o contrário, mas tudo isso é tão envolto de frieza, corrupção e tédio que eu, francamente, me acho muito pouco disposto a desfazer essas camadas, insistir.

Há quatro anos atrás eu sequer desconfiava de quem pudesse ter sido John Hersey, mas minha antiga e única ideia do que seria, ou deveria ser, o jornalismo está toda nesse nome. Hoje eu já não tenho certeza se teria disposição de espírito para seguir pacientemente os seus passos; os fatos recentes me dizem que não, que sou preguiçoso ou indisciplinado demais pra isso. Ou covarde. Mesmo assim, sinto algum conforto ao me imaginar um semelhante seu ainda que somente na vontade ou na imaginação, num futuro do pretérito.

O correspondente de guerra John Hersey

Se me permitem a ousadia, “Hiroshima” é a melhor reportagem de todos os tempos. Dolorosa e necessária, nenhum jornalista que se respeite pode morrer sem ler essa obra. É é claro que também é mais do que recomendável para quem não é da área.

John Hersey foi uma das melhores coisas que me aconteceram durante a graduação. Escreveu várias outras reportagens e ficções que eu ainda vou ler. É a minha mais cara referência de jornalismo. Muito mais do que John Reed, por exemplo, a quem dediquei uma monografia. Nada mais justo do que escrever sobre ele hoje.

A quem interessar possa: feliz dia do repórter.

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Cativeiro do Sol

A partir de hoje e até o dia quinze de outubro eu vou lembrar do teu suplício, Mata. Na maioria dos dias, possivelmente.

Duzentos e quarenta e quatro dias.

Eles, sim, deveriam ter sido fuzilados. Eles, que fizeram uma guerra absurda. Que te condenaram mais por culpa deles do que tua.

E se eu acreditasse em Deus, rezaria por tua alma.

Paris, 1906.

 

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The Gormenghast Trilogy

Dois volumes num mesmo dia…

Dois livros ilustrados, no texto original, com cor e cheiro de livro velho, baratos, esquecidos numa estante de sebo.

OUT OF THE CHAOS OF MY DOUBT

Out of the chaos of my doubt
And the chaos of my art
I turn to you inevitably
As the needle to the pole
Turns . . . as the cold brain to the soul
Turns in its uncertainty;

So I turn and long for you;
So I long for you, and turn
To the love that through my chaos
Burns a truth,
And lights my path.

Continuo à procura do Titus Alone e de algum dos livros de poesia do Mervyn. Alguém?

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Ask the dust

Pelo nome, imagino que essa música seja relacionada ao livro do John Fante. Alguém sabe se essa informação confere?

Não, eu não sou admirador de John Fante. (Nem de Bukowski, antes que alguém pergunte.)

Mas gosto muito do Mark Lanegan. Principalmente desse projeto, o Soulsavers.

Interessantes, também, essas cartas de tarô na capa do disco.

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Sometimes I feel like a motherless child

Eu bem que tentei, mas não vai dar pra escrever uma postagem decente por dia. Ainda mais agora que, tudo indica, vou trabalhar na redação de um jornal.

Amanhã (depois que eu acordar) vou ver que rumo dou nisso, mas deixo claro que não abandono este meu espaço por nada.

Quatro coisas:

1 – Assista ao filme “Inquietos”, do Gus Van Sant;

2 – Acesse o site http://flavorwire.com/;

3 – Leia poesia épica;

4 – Ouça esta música:

Escutei essa música o dia inteiro, mentalmente, por alguma razão que eu penso desconhecer. Um spiritual, uma das canções favoritas da Odetta e minhas também. As cenas do vídeo são do filme do Pasolini.

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R.I.P. Wisława Szymborska

Kórnik, 2 de Julho de 1923 — Cracóvia, 1 de fevereiro de 2012)

Céu

(tradução: Ana Cristina Cesar)

Era preciso comecar daí: céu.
Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.
Abertura e nada mais, porém muito bem aberta.
Não preciso aguardar a noite amena:
nem levantar a cabeça
para perscrutar o céu.
Tenho céu atrás de mim, sob as mãos
e debaixo das pálpebras.
Estou enredada de céu
e isto me exalta.
Nem as montanhas mais altas
Estão mais próximas do céu
que os vales mais profundos.
Nao há mais céu num lugar
do que em outro.
A nuvem está atada ao céu
indiferente como o túmulo.
A toupeira é tão feliz
quanto a coruja que abre as asas.
O objeto que cai no precipício
cai do céu no céu.
Partes poeirentas, léquidas, montanhosas,
passageiras e queimadas do céu, migalhas do céu,
brisas de céu e montes.
O céu é onipresente
até nas trevas sob a pele.
Devoro o céu, rejeito o céu.
Estou com armadilhas na armadilha,
com o habitante instalado,
com o abraço abraçado,
com a pergunta presente na resposta.
A divisão entre céu e terra
não foi pensada de forma adequada
a respeito desta unidade.
Permite até que se sobreviva
no endereço mais exato,
que pode ser achado mais depressa
se me procurarem.
Os meus sinais característicos são
o arrebatamento e o desespero.

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Graciliano inseguro

VITÓRIA: Acho que Graciliano está me chamando.

Já há algum tempo que o nome desse alagoano é bem recorrente quando converso com alguém sobre literatura. Ontem, por acaso, folheei um de seus livros, “Angústia”, e logo na primeira página fiquei muito impressionado. Aliás, impressionado não: eu fiquei besta mesmo.

Pois é… ainda não li nenhum de seus livros. Ainda!

Há poucos dias, pra pesar ainda mais na minha necessidade de lê-lo, topei com uma postagem muito interessante sobre as correspondências dele no blog do José Castello. Fiquei tocado, confesso. Graciliano, o autor de “Vidas secas”, tinha 29 anos quando escreveu isto a um amigo:

Sou, talvez, no mundo o indivíduo que menos confiança tem em si mesmo. Lembras-te da folha seca da canção? ‘Vou para onde o vento me leva…’ Apenas nunca me julguei folha de rosa, ou de louro. Serei, quando muito, uma desgraçada folha de mandioca, como é razoável.

Leia a postagem completa no blog Literatura na Poltrona.

Em breve devo escrever algo aqui sobre “O paraíso perdido” do Frei Bartolomé de Las Casas, que estou terminando de ler. É possível que você se lembre desse nome por causa das aulas de História do Ensino Fundamental. O negócio é forte.

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