Letter #1

Dear Ana,

Sorry for my absence at lunch today. I would have loved to be there with you and everybody, but believe me, it was better this way. These have been very difficult times for me, as you can imagine. I spent the past week in front of the computer doing all the imaginable things, except for the only one I really need and want. Maybe most people of our generation know pretty well what this anxiety spiral feels like, but nevertheless I can’t help myself but feeling shame and the most genuine fear I ever felt.

Despite that, I’m trying – the best I can – to be coherent and do myself what I use to telling other people to do. As a consequence, I’m rethinking the past years and even my whole life, little by little. I’ve realized anxiety is, in reality, a good thing. It really is, right? I was never a quiet guy, though, at least not internally. I had always this urge in me as a part of my nature for as long as I remember. Always insecure, even with the best results, and never satisfied. I’m trying to think about it – my anxiety – as a sign that something must be done. That’s exactly what my body and soul are telling me now, with the mouths they have, but I’m so completely lost that I don’t know what to do with that at all. I don’t even know even if I understand my own language while I’m talking to myself.

Did you see my tweet with Adélia’s poem? I’m reading it all the time like the prayer it indeed is. And these are my obsessing verses by now:

Louvado sejas, porque eu quero morrer,
mas tenho medo e insisto em esperar o prometido.

Of course I didn’t post those ones on that tweet. Not even for that I had enough courage. I’m feeling too small, weak, scared as if I was lost in a darkness full of hands. I’m watching my life running down between my feet and doing nothing. In the meanwhile I’m discovering many meaningful things, but all seems useless for I don’t have any idea of what to do with them.

Finally… sorry for the outburst. I thought you should know it, just in case of a bigger absence. Thank you for the most complete everything.

Yours,

Marcel

On anxiety

A ansiedade é algo bom.
Angoro estas bona afero.
Ängstlichkeit ist etwas Gutes.
Anxietas aliquid boni est.
Anxiety is something good.
La ansiedad es algo bueno.
L’ansietà è una buona cosa.
L’anxiété est une bonne chose.
Kecemasan adalah hal yang baik.
Тревога – это хорошо.

חרדה היא דבר טוב

De imortalitate

1º “O que é o homem?” é uma pergunta indutiva em seu sentido presente; 2º A explicação indutiva é apenas a expressão geral dos fenômenos, e não constitui hipótese alguma; 3º, Seja que homem ele for, ele o é em cada momento; 4º Em cada momento, os únicos fenômenos internos que apresenta são o sentimento, o pensamento e a atenção; 5º Sentimentos, pensamento e atenção são todos cognitivos; 6º Toda cognição é geral, não há intuição; 7º, Uma representação geral é um símbolo; 8º Todo símbolo tem uma compreensão essencial que determina sua identidade.

Quando eu, isto é, meus pensamentos, entro em outro homem, não levo comigo necessariamente todo meu ser, mas o que levo de fato é a semente da parte que não estou levando – e se carrego a semente de toda minha essência, carrego a de todo meu ser concreto e potencial.

PEIRCE,C. S. Semiótica. Trad. José Teixeira Coelho Neto. São Paulo: Perspectiva, 2015, p. 310.

 

Every single touch we ever touch each other
Every single fuck we had together
Is in a wondrous time lapse
With us here here at this moment
The history of touches
Every single archive
Compressed into a second
All with us here as I wake you up.

Björk, Vulnicura, History of Touches

Comentário sobre uma canção da Björk em grupo do Facebook

Peço licença para compartilhar com vocês algo que é bem pessoal (e até meio cafona), mas que tem a ver com a Björk – que afinal é o nosso elo neste grupo. Acho que todos nós experimentamos o alumbramento com alguma regularidade, às vezes com as coisas mais insignificantes: você acha uma pedra diferente na calçada, segura, começa a delirar em cima dela, se esquece de onde está e para onde ia, ganha o dia por causa disso. Pois bem: tenho sido docemente empurrado para o Biophilia nos últimos tempos e hoje, há poucos minutos, descambei em “Solstice”. Sabe quando você passa muito tempo em um lugar escuro, ou de olhos vendados, e então se joga na claridade e começa a ver aqueles pontinhos brilhantes por toda parte? Pois é, eu estou cheio desse fosfeno por dentro agora. Ela canta: “Quando seus olhos param sobre a esfera / que pende do terceiro galho de uma estrela / você se lembra por que está escuro / e por que torna a clarear”. E depois: “E então você se lembra / que você mesmo é um portador de luz / recebendo radiação dos outros”. Ajuda muito, até mesmo pra fugir do clichê sentimentalista, se você também tiver um olhar amoroso sobre a natureza das coisas – física, biologia, ciência enfim – que a Björk certamente tem, mas talvez até isso seja secundário. Talvez baste a voz limpa, a respiração (já repararam?) e a melodia tão sugerida quanto realizada pelas cordas, ou nem isso. Eu honestamente não sei explicar com boas palavras o que eu estou sentindo agora: é um tipo de fome de tudo, uma curiosidade enorme, uma vontade doida de participar (mais e melhor) disso. Enfim, se nada disso faz sentido pra vocês, por favor relevem… e prestem mais atenção no Biophilia porque esse disco é bonito pra caralho.

 

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Latine loquor. Non bene, sed loquor.

Felix sum quia hodie mane Assimilis cursum Linguae Latinae conclusi et paucas lectiones careo ut grammaticam magnificam quoque perageam. Gestae, carmina poemataque latine conceptis vitae meae cottidianae jam sunt partes. Notum est quod facile loqui latine adhuc non possum, sed hoc omnino grave non est: omnis dies opportunitatem meliorandi portat. Linguas discere semper fuit mihi peregrinandi modus; cum lingua latina, immaginatio mea peregrina non solum in spatio ambulat, sed etiam tempore. Ubi sunt vos, o latine loquentes? Auxilium mihi ferre potestis? Et nunc: gratias omnibus vobis ago. Spero me cum hoc textus molestum non esse!

De luce inaccessibile

1.

paraiso-de-dante
Dante et Béatrice au Paradis par Gustave Doré.

2. Ecce quod hodie feci:

Versi originales:

“Domine, si hic non es, ubi te quaeram absentem?
Si autem ubique es, cur non video praesentem?
Sed certe habitas <<lucem inaccessibilem>>.
Et ubi est lux inaccessibilis?
Aut quomodo accedam ad lucem inaccessibilem?
Aut quis me ducet et inducet in illam,
ut videam te in illa?”

Proslogion Anselmi Cantuariensis in capitulo I.

Versi Lusitanice a me conversi:

“Senhor, se não estás aqui, onde hei de procurar-te ausente?
Se todavia estás por toda parte, por que não te vejo presente?
Mas é certo que habitas uma “luz inacessível”.
E onde está a luz inacessível?
E como vou me aproximar da luz inacessível?
E quem vai me conduzir e nela me introduzir
para que nela eu te veja?”

Proslogion, de Anselmo de Cantuária, no capítulo I.

3. Questo passaggio è stato molto più facile da leggere di quel bel poema di Catullo, però mi sono stato sorpreso lo stesso di capirlo senz’aiuto. Amo davvero il Proslogion. Inoltre, direi che questo è il mio primo tentativo di traduzione diretta. Va bene che è un latino facile da capire e la mia versione non è così esatta, comunque è come dicono: Roma non uno die aedificata est.

4. Sem falar nas intuições waldomóticas que eu tive com o texto e a imagem, mas isso não cabe a mim explicar agora.